Os deuses e deusas dos Celtas.
Cada Treba, ainda cada família, ou particular eidos, tinham as suas próprias divindades. Mas todos os Trebas, ainda todos os países Celtas, tinham deuses comuns do tempo quando ficavam na Europa central.
Os Celtas não atribuíam as suas divindades uma função exclusiva. Os deuses e deusas tinham vários atributos.
Cessar nos diz que os Celtas da Galia, os galos, consideravam-se todos descendentes do deus Dis-Pater .Sem dizer qual e o nome que os Celtas da Galia lhe davam ao Dis-Pater latim, pelas suas características sabe-se que é o mesmo deus que o deus Gada -Galiza-, Dagda -Eire-, Dadd -britônico- , o bom-deus , o deus-pai . E a historia nos conta que , pelo seu lado, os Galegos se consideravam descendentes da deusa-nai, como o seu nome indica.
A deusa Dana, nai do deus-pai.
Na mitologia Celta druida a deusa-nai Dana ( Cail-leach , -a velha mulher- vestida de farrapos ) é a nai de Gada ( Eochaid All-athair, - o velho pai- ) que foi o pai de todos os deuses e deusas.
A image do -Gada- ( bom-deus ) co pau e em farrapos lembra as images dos primeiros abades da Igreja Celta cristã, São Patriço em Eire, ... e mesmo o Priscilianinho galego que muito bem conhecia a religião druida e da que muito copiou.
De Cal-leach , os galegos colhem o nome que levam, -galeg-o-s , ou -filhos da deusa-nai- . Como os Celtas da Galia e os outros povos Celtas, os Celtas da Galiza são também descendentes dos deuses, da deusa-nai . A verba -nai- (NA) ainda a conservamos na lingua galega, ... com muito amorinho ... dende faz mais de 2500 anos, é dos galegos ... e vai a ficar cos galegos ainda 2500 anos, não-sim ? O velho pai ,o Gada foi o pai de Briga e os outros deuses, vestido de farrapos levava um pau grande na mão e o pote magico de Murias na outra mão. Co pau podia pôr pela terra nove homens. O pote era o símbolo da fartura e da riqueza.
O pote magico que foi um regalo do deus Lugo, ficava na vila de Murias ( ha muitos Murias - perto dos montes de Cervantes- ... , Muras, Mouras, ... na toponímia galega ) e era um dos maiores tesouros dos deuses. O pote de Gada tinha sempre comida dentro, representava também a fartura. Uma imagem da época do pote pode ver-se na (nossa) diadema de Ribadeo, baixo calado numa placa de ouro, que, magoa, se acha em Madride no museu arqueológico, é um símbolo de assoalho para Galiza, como se os galegos não têm direito a sua própria herdança....
Era o mesmo pote que nossos devanceiros usavam, e ainda não longo, cos três pés na lareira por cima do lume, do lume sacro co pote do caldo galego. As imagens da palhota dos Ancares co pote no centro e a família ao redor do lume não ficam longe. O pote é o centro da vida dia a dia dos Celtas, ele é o tesouro mais desejado ... os tesouros de Murias, dos muras, dos muros ... dos mouros...tão explicito na toda toponímia galega e nas tradições do povo galego.
A gram deusa Briga dos galegos.
Briga era a deusa mais adorada na Galiza. Se ela fora cristã seria uma santinha. Dela ficam muitos nomes de eidos... e muitos mais santuários hoje trocados pelos Santos cristãs : São Andres de Teixido ( herva para namorar ...) , São Benitinho de Serans ( curandeiro,... ) ,... centros ainda hoje dedicados a curar ...centos.
E muitos, muitos mais ... Briga tinha muitos atributos, nenhum exclusivo, era curandeira, patrona dos ferreiros e poetas ( os criadores daqueles tempos : ferro, espadas, ferramentas,... e poesia ) ... e sobor tudo a deusa da fertilidade.
Os muitos símbolos fálicos que se acham na Galiza dende o simples menhir, as pedrafitas, muitos milheiros, hoje muitos trocados em cruzeiros, ate o<falus> que leva ca cruz cristã no outro lado, cada cabaceira galego... todos nos lembram hoje do muito poder que a deusa Briga tinha sobor os Galegos... e ainda o têm ... mas não usamos mais o nome de Briga ... o trocamos pelos outros ... os santos e santas ... do monte ....
A festa dos maios, a festa de Bel.
O deus Bel que o seu nome quer dizer, em goidelico, - brilhante - é o deus da luz, do verão, do começo do verão e a sua festa é em maio. A data é importante já que é o começo do verão cinco semanas celtas, de nove dias, diante do solstiço do verão e cinco depois do equinoço da primavera.
Vários métodos usavam os druidas para achar exactamente quando era a data. Entre eles é o deitar da estrela Maio da constelação das Pleides, e dali o nome do mês e das danças dos -maios - de Redondela, Ponte-Vedra, Teis, ..., que 2500 anos mais tarde ainda se seguem fazendo em honor de Bel, a festa do verão, das flores , ... hoje trasladada á festa cristã do Corpus, a festa da Coca, da Penla , ... .
Na Galiza temos:
e muitas lembranças do deus galego Bel espalhadas pela toda a toponímia galega : Belade, Beldonha, Beleicom, Belesar, Belpelhos, Beledo, Beleseira, Belote, Belir, ...
Na Eire o nome Bel-tane ( tan = lume ) é o nome da festa de Bel, era o tempo das fogueiras do começo do ano, do verão. As fogueiras que purificam, ha que salta-las, o lume sacro, o lume novo que os druidas galegos alumiavam e o sinal que propagava-se, de Castro em Castro, para identificar o novo ano dos celtas.
Também na Galiza, ainda hoje nalguns eidos da Galiza faz-se o primeiro de Maio, como ha mais de dois mil anos, na festa de Bel : Em Sam Orente o primeiro de Maio se fazem lumieiras chamadas -as labaradas de Pampalhim- . Em Roo, perto de Noia fazem-se as fogueiras a vispora do primeiro de Maio,...no Outeiro. Em Ponte Cesures nestas datas se recorrem os campos co lume na mão.
Dende a chegada dos Soavos a Galiza a tradição germânica da festa do solstiço empuxo-se. Mais tarde baixo a influência da Igreja cristã as fogueiras são na festa de São Xoam. Saltar o lume é uma espécie de purificação para os Celtas, começo do novo ano, pelo lume sacro e as aguas com ervas preparadas na noite, o cacho, de ali a cristianização sobor o nome do santo o baptista.
As mais das referências aos nomes dos deuses e deusas se acham na toponímia. Galiza os conservou com pouco o nenhum cambio fonético, são perfeitamente goidélicos celtas. Os nomes dos deuses galegos são goidélicos. Aqui abaixo uma lista dos mais importantes e como comparam-se cos da Eire, da Galia e doutros países celtas britônicos , Breizh, Kernow, e Cymru. Ha centos doutros deuses e deusas , de eidos, familias, ...mas estos são os mais importantes comuns.
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EIRE |
GALIZA |
GALIA |
Deuses britonicos |
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Dana |
Dana (a deusa-nai) |
Matres ( latim ) |
Don |
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Dagda |
Gada (o bom-deus ) |
Dis Pater ( latim ) |
Dda |
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Lugh |
Lugo |
Lugos |
Lleu |
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Brig |
Briga |
Briga-ntu |
Briga-ntia |
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Bel-taine |
Bel |
Bel-enos |
Beli |
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Cern-unnos |
Cerne |
Cernenos |
Cernunus |
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Badb |
Baade |
Bodua |
-?- |
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Lir |
Lir |
-?- |
Llyr |
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Nemed |
Neme |
Neme-tona |
-?- |
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Bran |
Bram |
Breno |
Bran |
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Cumal |
Camelhe (?) |
Camulus |
Camulos |
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Bua-nann |
Bua |
Bua-nu |
-?- |
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-?- |
-?- |
Epona |
Epona |
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-?- |
-?- |
Gran-nos |
Gran-nos |
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Midir ( só gaelico ) |
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Navea ( só galega ) |
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Depois ha sem duvida centos de deuses particulares de familha ou eidos pequenos que se acham lembrados na toponimia, mais istos são os principais , os importantes os que todo o mundo conhece.
Ha uma coincidência perfeita entre o panteom galego e o irlandês. Cessar , na sua -Guerras da Galia- não transmite os nomes goidélicos da deusa-nai DANA nem do bom-deus GADA ( Gabda ), só os nomes latinos, Matres e Dis Pater. Midir é um deus particular só a Eire, o que quer dizer que não pertence á herdança comum. No mesmo, NAVEA ( Na- bean = a mulher nai ) é uma deusa só galega, a que tão ainda reza-se-lhe na Galiza... a deusa da chuva, ... das aguas, ... . O rio Navea, que é nascido nas terras do Caurel e dos Ancares, leva o seu nome.
Gran-nos e o deus do Sol, é sem duvida um deus pan-indoeuropeo, denque anterior aos deuses do panteom celta. Para os Celtas os deuses solares são já pessoas : Lugo, Briga, Bel, Cernos ... deuses solares co símbolo o trisquel, que indica o Sol.
( tem o lume e deus Gran na Galiza referencias atávicas ??? )
Epona e a deusa dos cavalos. Foi adorada na Galia e também pelos romanos. Co nome goidelico de cavalo -marcos-, na Galiza conhecemos as tribos celtas dos Preseamarcos - o povo dos cavalos das branhas- ( hoje o concelho de Posmarcos aos pes do Barbanza ) e Pistomarcos (mais ao norde ). E hoje, nomes na toponímia, temos na Galiza : Marco Baixo, Marco do Lobo, Marco de Deça , .... Os cavalos selvagens do Barbanza são os -maros-, e em baixo na igreja de Postmarcos o santo patrão tem o nome curioso de São A-maro, como outros muitos santuários na Galiza. Se um deus galego-celta dos cavalos houvera se chamaria - Maro- , ou na forma crista, Sam Maro ou Sam a-Maro (?). Não acha-se o nome de Epona nem na Eire nem na Galiza. ( que eu saiba !!! ).
O culto ao cavalo na Galiza vêm de muito longo e na toda geografia ficam restos distos cultos Celtas onde homens e cavalos se acham. Festas em ralação cos cavalos as temos em toda Galiza, onde o cavalo é para os galego o que o <toro> é para os iberos ( Pamplona , .... ) (não existia no galego uma verba para os bois selvagem, já que -touro- nos vem mais tarde e já tem outra significação em galego),. A Rapa das Bestas era celebrada em toda Galiza, ainda hoje se faz em Sabucedo, Boimonte, Torronha, ...
As festas dos deuses e deusas celtas na Galiza.
Pode-se dizer que cada romaria na Galiza têm os seus origens numa festa céltiga cristianizada ... cada santuário ... e cada carvalheira.. ou ainda cada petouto, cada laje , cada rio, cada ria, cada lagoa, cada monte ...cada corvo, cada cervo, ... lembra-nos do muito que nossos devanceiros celtas e a natureza faziam um só.
A festa de Briga era no mês de fevereiro, na Galiza o Antroido e os homens desaguisados ( como se chamem ??? ) de Braga é o que fica dos nossos devanceiros celtas da festa do fim do inverno. Era em fevereiro, e mais ou menos um mes e meio por diante do equinoço da primavera, hoje variável. A festa dos maios, a festa a Bel, na que ainda em Redondela se guarda a tradição celta cos Maios , no mês de maio era a festa do começo do verão, é dum mês e meio diante do soltiço do verão. As festas do deus Lugo, mais ou menos eram um mês e meio diante do equinoço de setembro , no outono. E a festa da colheita nos campos, hoje colheita no Sam Froilam , a apresentação das oferendas das raparigas ao deus. A festa de Cerne é a festa do começo do inverno um mês e meio do solstico do inverno, no mês de novembro, que na Galiza e ainda a festa dos mortos do deus Cerne.
As datas das festas celtas mais importantes da Galiza ainda ficam mais ou menos na mesma época. Pode-se dizer o primeiro de maio, a festa a Bel, o primeiro de setembro a festa a Lugo, a festa do primeiro de novembro, a festa dos mortos , a festa a Cerne , e a festa do primeiro de fevereiro a festa a Briga. Todas estas festas são um mês e meio antes ou depois dum solstiço (ou equinoço).
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